Aproxima-se o Natal e depressa me vem à ideia a época em que, aproveitando os dias sem chuva, a minha irmã e eu ( o meu irmão é muito mais novo) íamos procurar musgo para fazer um Presépio, já que a árvore de Natal ficava a cargo do meu avô Alfredo.
Nessa época, para além do pinheiro, trazia, com todo o cuidado, a gambiarra com frutos de variadas cores - que guardava como um tesouro -, talvez da época em que fazia a árvore para o meu pai!
Depois era uma azáfama em casa, criando montes e lagos, rebanhos imensos que se estendiam à volta de uma sala com três enormes janelas com banquinhos de pedra, junto a uma lareira onde a lenha crepitava e aquecia o ambiente... eis que surgia finalmente o Presépio e a Árvore de Natal... com aquela magia das luzes que ainda hoje encanta qualquer um.
Lembranças da infância ou não, a verdade é que o Presépio continua a ser um elemento que não falta na maioria das casas. O meu está muitas vezes presente todo o ano, talvez a lembrar-me que a época de Natal não começa no dia 1 de Dezembro e termina no dia 6 de Janeiro...
Mas será que todos os Natais são assim, ou repentinamente começaram a perder a magia e a tornar-se numa época em que o consumismo desenfreado tomou conta dessa magia?
Inclino-me para esta segunda opção, embora tente manter, a todo o custo, o primeiro ideal.
Neste momento em que, olhando à nossa volta, cada vez mais vemos crianças que são privadas dessa magia, há que manter presente o Amor que nos une e não as dissidências que nos separam pelas mais variadas razões.
Sendo a pastelaria ou a culinária uma forma de Amor e Arte, o que nos impede de transformar uma massa disforme em algo de belo?
Este Presépio foi um dos que eu fiz, a par com casinhas de gengibre cobertas de
Neve! É que o Natal continua a ter aquela magia que vem da
infância, e é essa magia que tento inculcar às crianças e adultos que me rodeiam.
Para alguns poderá ser algo que desaparece em pouco tempo - o tal Natal que começa no dia 1 de Dezembro e termina a 6 de Janeiro!
Para mim, ao contrário, esta será a forma que encontrei de preservar os valores que os meus familiares me transmitiram, tê-los presentes, e mostrar que, a cada movimento, a cada figura que criamos, estamos a abraçá-los e a manter viva essa tradição familiar.
Um Feliz Natal para todos!

