segunda-feira, 2 de julho de 2018

Is Life a Merry-Go-Round???

Vai fazer um ano que decidi oferecer à minha sobrinha-neta um Carrossel comestível.
Não é que eu tenha uma ligação especial aos carrosséis, salvo os carrosséis da Feira de Março, quando o prazer da vida se resumia a ir à Feira, comer farturas e beber um Sumol, ou uma Laranjina C.
Estava tudo associado, incluindo as brincadeiras em casa dos meus avós, em que não faltavam escorregas gigantes - meros colchões de palha antigos que viviam no sotão -, à espera que as meninas irrequietas os tirassem do seu sossego, tal Quebra Nozes, versão adaptada. 
E depois era deslizar pelas escadas abaixo, completamente indiferentes ao som da bengala do meu avô, que saía do seu escritório e nos saudava com um cumprimentos terno: Façam pouco barulho, meus Diabos!
Mas a casa prestava-se a essas brincadeiras de crianças estouvadas. E a verdade é que, durante as férias, ela não tinha sossego. Nem ela, nem os meus avós...


 Iniciei este post no blog com uma questão, e está na hora de desvendar a minha opinião sobre o Carrossel da Maria João, a minha sobrinha-neta, e talvez a razão pela qual o escolhi para o seu 9º aniversário.
A minha paixão pelos bolos decorados nasceu quando eu ainda era da idade dela, talvez mais nova, e recordo com uma certa nostalgia até onde o meu imaginário voou quando vi uma piscina com imensos bonecos que nadavam dentro dela. O design tinha sido retirado de um livro brasileiro que lamento nunca ter encontrado no mercado. Nele havia borboletas e leques, casinhas de bonecas, castelos de princesas, uma delícia para o olhar e para a imaginação de qualquer criança.
Foi esse brilho que vi nos olhos dos amiguinhos da Maria João quando o bolo começou a rodar com música de carrossel. 
Aceito que, por vezes, nos recorremos de clichés para alimentar esse imaginário, mas o que é uma criança sem princesas e príncipes?
Julgo que, com o tempo, elas terão oportunidade de se dar conta que a vida é, na realidade, um carrossel, mas que também têm a oportunidade de o fazer parar a qualquer momento.
Há momentos em que nos damos conta que a nossa zona de conforto passa pela monotonia, pelo não levantar ondas, pelo ram ram diário, pelo movimento circular de um carrossel. Mas até que ponto isso vai de encontro às nossas necessidades, aos nossos anseios, aos nossos sonhos?
Nada na natureza é estático, e, embora a roda tenha sido um grande avanço, o movimento circular é, por si próprio, pouco criador. O facto de nos fecharmos numa força centripeta, deixa-nos completamente à mercê do veio que nos faz girar. 
Pelo contrário, prefiro o movimentos dos vulcões, esse movimento que, no silêncio, vai ganhando forma, vai evoluindo em surdina, até que o momento chega em que a lava sai, deixando-nos um pouco perplexos por essa explosão, e pelo fumo que, por momentos, não nos deixa ver quão bela pode ser a realidade.

Foi assim na pintura ...



Foi assim com o bolo do vulcão...

E creio que também está na hora de eu descer do Carrossel ...

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Uma Viagem Ao Passado...



Há cerca de dois anos, uma colega, ao ver alguns dos meus bolos, referia, com um semblante deveras triste: - Que pena não ser criança para poder ter um bolinho destes para o meu aniversário!...
Por alguns momentos, aquela frase tocou-me profundamente, já que, uma das coisas que nunca consegui ultrapassar (e felizmente) foi a capacidade de abdicar de ser criança...
Foi isso que me levou a escolher para o seu aniversário este bolo, com o intuito de a levar aos lugares da sua infância, sabendo de antemão que nem sempre uma imagem pode permitir esse voo até à Terra do Nunca.  
Para mim, habituada que fui, desde criança, a largar amarras e voar a bordo deste papagaio,  nada mais simples do que me deixar levar pela imaginação e, em segundos, volto à meninice, relembrando com detalhe, os cheiros, as cores, os sons que me embalavam nesses momentos mágicos.
Ontem fiz algo que há muito tempo desejava - voltar a Entre-Pontes... 
Embora tenha nascido em Aveiro, vivi toda a minha infância em Vale de Cambra, entre o Pinheiro Manso, Entre-Pontes, Areias e Castelões, numa pequena casa junto ao rio, perto de um açude, que minuto a minuto mudava a sua panorâmica como se de uma moldura viva se tratasse. 


Habituei-me desde cedo a respeitar a presença próxima da água. Para isso contribuiu a insistência do meu pai em me ensinar a nadar, talvez preocupado com a proximidade desse rio, ao qual tínhamos acesso a partir de um lavadouro, ao fundo do quintal, lavadouro esse que mais tarde transformávamos em prancha de piscina natural durante os meses de Verão, da mesma forma que o coradouro, circundado de lírios e jarros, ao lado, era o espaço ideal para uma "pescaria"...
Por vezes, no Verão, entrávamos para a zona de terra firme do rio, através de um caminho estreito e sinuoso de pedras, onde abundavam as amoras, que íamos colhendo das silvas, e que deixavam marcas nos rasgões dos bibes brancos imaculados, que repentinamente se transformavam em padrão de bolas arroxeadas.


A casa era mágica!... 



Situada num primeiro andar de um edifício com cave,  na borda do rio, a vista era paradisíaca: pontes, campos de erva verdejante a perder de vista, ladeados por filas de vinhas que os emolduravam e serpenteavam rio abaixo. 
À noite, o som da água era entre-cortado pelo coaxar das rãs, ou pelas mós dos moinhos, já que praticamente não havia carros a passar naquela rua.  Havia apenas a camionete que ia recolher o leite nos postos de recolha e que passava pontualmente à mesma hora, durante a tarde, obrigando-nos assim a interromper o jogo da corda, do berlinde, da macaca, ou simplesmente andar de patins ou bicicleta, isto mais tarde, quando a rua foi finalmente alcatroada. 
Este era o nosso dia-a-dia, depois das aulas, quando nos portávamos bem!...
Outros dias havia em que as brincadeiras se tornavam deveras preocupantes, e aí prevalecia a lei da época, a surra dada na hora, que era infalível, como daquela vez em que nos escondemos durante horas, enquanto ouvíamos berros na vizinhança e uma agitação fora do normal. Estávamos escondidas atrás de um armário, enquanto toda a gente nos procurava junto às margens do rio, temendo o pior... 
Éramos endiabradas e as amigas e amigos que nos acompanhavam davam sempre cobertura às nossas loucuras, como quando unimos três escadas de vindima para entrar por uma janela, para irmos buscar os fatos de banho, enquanto os nossos pais, em Aveiro, nos julgavam em casa dos avós, e os nossos avós, crédulos, nos imaginavam em companhia da Joaquina, a empregada, que teria voltado mais cedo da feira da vila. 
Não éramos meninas exemplares quando transformávamos as bordas do lago do Solar de Areias numa trave olímpica, com o intuito de sairmos dessa faceta completamente encharcadas, quando voltávamos do colégio e enfiávamos nos pés uns patins, junto à rotunda do actual Mercado, e descíamos, rua abaixo, para nos estatelarmos, com os joelhos esmurrados, os pulsos abertos, a pasta para um lado, os livros espalhados, os patins a sobrevoar-nos as cabeças, com as rodas em movimento uniformemente acelerado, junto à rotunda dos Irmão Mecânicos - a actual Prio!
E agora? O que podemos nós oferecer às crianças de hoje? 
Tomar banho no rio?! Nem pensar! Está poluído.  Fazer bolinhos de areia ou terra causa alergias. Brincar na rua é perigoso e as crianças podem esmurrar os joelhos, ou lascarem uma unha. É preferível deixá-las em casa, "acompanhadas" pelos jogos de consola que as atrofiam e não as ensinam a viver em grupo, a compreender o outro, a saber colocar-se no lugar do amigo.
Na verdade, actualmente, as crianças não brincam: têm muitos brinquedos e não sabem brincar, porque os brinquedos que lhes dão servem apenas para as formatar e as adaptar à sociedade em que estão inseridas. Não imaginam, não brincam ao faz de conta, espirram ao menor contacto com a Natureza, como se tivessem de viver numa bolha que as transforma em prisioneiras no Castelo Dourado dos seus próprios caprichos, e muitas vezes dos seus pais que, julgam encontrar nos ATL's a solução para todos os problemas.
Será que estes pais já se esqueceram da sua infância e dos momentos em que guardavam O Brinquedo e ao qual se emprestava um valor afetivo e que mantinham num local secreto?: a vassoura que de cavalo se transformava em espada, para, logo de seguida, ser a varinha mágica da fada que punha finalmente fim à contenda da disputa entre “tu agora és o pirata e eu sou o bom”, subvertendo-se a ordem, visando a compreensão da mesma, fazendo-se uso dos seus próprios referênciais - uma fantasia do real –, brincadeiras essas em que o tempo linear é suprimido em detrimento de um novo e em que tudo se iniciava com “Era uma vez”. 
A falta de imaginação actual que tanto prejudica os preocupantes índices de leitura, parece encontrar a sua raiz nesta falta de interacções com os pares ou mesmo com os adultos ou familiares próximos, fazendo crer que muitas crianças, mesmo no corre-corre a que estão sujeitas entre as várias actividades que praticam, podem “andar solitárias entre a gente”, o que mais uma vez nos remete para a questão da privação do brincar e das várias consequências que daí poderão advir, algumas delas já observáveis em grande parte das escolas - comportamentos compulsivos e violentos entre pares ou mesmo a hiperactividade. 
Será isto que queremos para as nossas crianças? Uma geração que, cada vez mais, consegue ser menos saudável que a geração anterior? 
Cedo começam a ser dependentes de ritalina, como se essa fosse a forma ideal de as manter  sociáveis, esquecendo que a raíz do problema poderá tão só em deixá-las brincar com os seus pares, e dar-lhes tempo para se expandirem.
Deixem as crianças brincar e, estou certa, não terão mais energia para estarem a jogar na consola até às tantas da manhã, bem como se acabarão os problemas de aproveitamento e comportamento.
Há momentos referi que "aquela casa era mágica", mas mágicos foram, também, aqueles momentos de antigamente...


















quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

NATAL, FESTA DE FAMÍLIA - DA MAGIA DAS LUZES AO CONSUMISMO DESENFREADO!


Aproxima-se o Natal e depressa me vem à ideia a época em que, aproveitando os dias sem chuva, a minha irmã  e eu  ( o meu irmão é muito mais novo) íamos procurar musgo para fazer um Presépio, já que a árvore de Natal ficava a cargo do meu avô Alfredo. 
Nessa época, para além do pinheiro, trazia, com todo o cuidado, a gambiarra com frutos de variadas cores - que guardava como um tesouro -,  talvez da época em que fazia a árvore para o meu pai!
Depois era uma azáfama em casa, criando montes e lagos,  rebanhos imensos que se estendiam à volta de uma sala com três enormes janelas com banquinhos de pedra,  junto a uma lareira onde a lenha crepitava e aquecia o ambiente...  eis que surgia finalmente o Presépio e a Árvore de Natal... com aquela magia das luzes que ainda hoje encanta qualquer um.
Lembranças da infância ou não, a verdade é que o Presépio continua a ser um elemento que não falta na maioria das casas. O meu está muitas vezes presente todo o ano, talvez a lembrar-me que a época de Natal não começa no dia 1 de Dezembro e termina no dia 6 de Janeiro...
Mas será que todos os Natais são assim, ou repentinamente começaram a perder a magia e a tornar-se numa época em que o consumismo desenfreado tomou conta dessa magia?
Inclino-me para esta segunda opção, embora tente manter, a todo o custo, o primeiro ideal.
Neste momento em que, olhando à nossa volta, cada vez mais vemos crianças que são privadas dessa magia, há que manter presente o Amor que nos une e não as dissidências que nos separam pelas mais variadas razões.
Sendo a pastelaria ou a culinária uma forma de Amor e Arte, o que nos impede de transformar uma massa disforme em algo de belo? 
Este Presépio foi um dos que eu fiz, a par com casinhas de gengibre cobertas de Neve! É que o Natal continua a ter aquela magia que vem da infância, e é essa magia que tento inculcar às crianças e adultos que me rodeiam.
Para alguns poderá ser algo que desaparece em pouco tempo - o tal Natal que começa no dia 1 de Dezembro e termina a 6 de Janeiro!
Para mim, ao contrário, esta será a forma que encontrei de preservar os valores que os meus familiares me transmitiram,  tê-los presentes, e mostrar que, a cada movimento, a cada figura que criamos, estamos a abraçá-los e a manter viva essa tradição familiar.
Um Feliz Natal para todos!


terça-feira, 1 de novembro de 2016

Às Vezes Faz Falta um "Chá"!...



Recentemente, a minha filha perguntou-me a razão de eu já não fazer croissants há muito tempo, aqueles croissants de manteiga acabadinhos de fazer e que vão tão bem com um chá.
Recusar um pedido destes seria "falta de chá", e lá fui eu tentar fazer croissants, embora desta vez tivesse experimentado fazê-los num forno de lenha com mais de 87 anos, convencida que seria mais fácil atingir uma temperatura mais alta do que num forno caseiro, com todas as modernices dos ventilados.
Não foi nada fácil conseguir que eles não se transformassem em carvão, mas lá consegui tirar de lá de dentro uns 4 tabuleiros com croissants aceitáveis.
Aceitáveis ou não, a verdade é que tive de repetir a dose no Sábado, desta vez em forno normal- o tal das modernices
O que eu não contava que acontecesse é que a manteiga dos croissants caísse no fundo do forno e fizesse uma fumarada tão grande que o prédio activasse o sistema de alarme de incêndio.... Correu mal, mas para a próxima já sei como manter aquele apito insuportável caladinho...
O D. Sebastião não apareceu no meio daquela nevoeirada cinzenta, abriram-se janelas e portas, e finalmente pudemos deliciar-nos com uns croissants quentinhos e "brincar" com a situação... para além de testar o sistema de alarme do prédio....
Isto foram os preparativos daquilo que considero um ritual.
Ritual ou não, um chá vai sempre bem com scones ou os tais croissants, e um a compota caseira acabadinha de fazer. principalmente quando ele é acompanhado por uma boa conversa, e as pessoas que nele participam sabem ter "chá", o que de hoje em dia começa a ser difícil encontrar. As grande superfícies não o disponibilizam e tão pouco as mercearias de bairro.
Nesse aspecto estou bem servida, principalmente quando recebo em casa os meus amigos, seja a que hora for... nem que a conversa que o acompanhe seja através de silêncios de grande cumplicidade...
Não pensem que me preocupo com as toalhas de renda da avozinha...  Para isso já lá vai o tempo!
Porém, uma coisa há da qual não abdico: tomar chá com quem saiba perfeitamente o que ele representa... i. e. que saiba verdadeiramente ter "chá"!
De outra forma, prefiro sentar-me sozinha numa esplanada ou em qualquer outro sítio e tomá-lo comigo mesma. Assim sei  que estou em boa companhia....       




sexta-feira, 14 de outubro de 2016

"À Lareira"


Hoje vou-vos falar da minha escola!
Tenho saudades da minha antiga escola que, apesar de ter telhados de amianto, permitia um contacto mais directo com os colegas
Tratava-se duma escola com dois pisos, que se espraiava por um vasto espaço envolvente repleto de vegetação e de enormes árvores, onde crianças e adultos se deleitavam nos intervalos.
Hoje ( há 2 ou 3 anos), temos uns cubos de betão, com imensos vidros - embora não tenhamos o homem da Coca Cola Light para os limpar-, uma entrada digna de um Hotel ***** onde não falta um cubo que desafia as leis da gravidade. Não temos telhados de amianto, mas continua a chover lá dentro e as infiltrações têm uma predilecção especial pela Biblioteca, com a agravante do piso ser demasiado escorregadio. Para completar, e como o corpo docente é muito jovem - variando entre maiores de 45 e os 63, temos uma quantidade razoável de pisos e escadas, penso eu, com a intenção de manter em forma os docentes, que se arrastam, nos intervalos de 5 minutos, carregados de livros e papéis!  Sim, de hoje em dia, uma escola que se preze para além de transmitir conhecimentos, deve, no mínimo, fazer relatório de tudo o que faz... em papel... que ninguém lê...
Resolveram de uma só vez o problema do custo do ginásio dos docentes. Subir 5 ou 6 andares com escadas estreitas, em que alunos e professores se atropelam com o intuito de chegar a tempo à meta- desculpem, sala de aula, quem tem fôlego para, no fim das aulas e reuniões, ir "malhar" para o ginásio?






Perguntar-me-ão a razão desta introdução e qual a possível relação com bolos, mas já lá vamos.
Há uns anos, uma senhora a quem chamavam de Ministra da Educação - ainda não compreendi bem a razão de o ser já que não primava pela educação
- resolveu afirmar que " as escolas secundárias estão há muito tempo sentadas à lareira», ... «Temos professores a mais e com fracas competências», ...
A minha intenção é precisamente demonstrar o contrário, nem que para isso tenha de ser um bocadinho irónica e irreverente. Mas ela merece!...
No final do ano, é usual a festa do porco no espeto, da mesma forma que se confeccione um bolo para marcar esse evento.
Este foi o bolo de 2015!
Nele, os porquinhos deliciavam-se, não à lareira, mas em inúmeros chiqueiros de lama, onde não faltavam espreguiçadeiras, à sombra de chapéus de sol, uma vez que a maioria dos espaços verdes foram destruídos.


Dada a extensão do SPA, tivemos o cuidado de assinalar com setas que o movimento obrigatório era ascendente ou descendente, bem como a inclinação de 40%, não fosse algum porquinho incauto ter a curiosidade de entrar e esparramar-se nas inúmeras escadas que se encontram à entrada, i. e. , passar do 0 ao -2 à velocidade da luz...
 
Para facilitar as descidas, nada melhor que escorregas. Já que temos a fama de brincar tanto, tenhamos  também o proveito!
Deixo-vos com algumas fotos que poderão dar uma visão mais clara da forma criativa como conseguimos, finalmente, dar razão àquela tão badalada frase da Senhora Ministra....
Não estará perfeito como gostaria, mas razões de força maior houve para que tal não fosse possível.
Foi esta a forma como vi  a Escola sede  do Agrupamento de Escolas de Búzio


domingo, 9 de outubro de 2016

O Sapato Vermelho




Quando falamos de sapato, imediatamente o nosso imaginário nos transporta ao sapato da Cinderela. 
Não, este sapato de que hoje vamos falar não é o sapato da Cinderela, até porque o da Cinderela era de cristal, e muito menos o de Jessica Rabbit, embora ficasse perfeito com aquele vestido sexy! Mas afinal que sapato é este?
Este tem uma história, aliás como todos os bolos que crio.
Para variar, vou deixar o "Era uma vez..." e vamos directos ao assunto.
Há muitos, muitos anos, vi um filme de que alguns ainda se lembrarão - The Wizard of Oz, do qual vou deixar aqui umas imagens para o tonar mais presente. Afinal, todos se lembram da música, mas talvez o enredo do filme esteja mais distante, daí a dificuldade em encontrarem semelhanças entre a história e a razão de ter concebido este sapato.
Há momentos na vida em que temos de tomar decisões, por muito que elas nos custem, nem que para isso seja necessário um catalisador. O sapato vermelho teve mesmo essa função.
Claro que nem todas as reacções surgem no momento em que as desejamos, nem o sapato vermelho terá tido essa função imediata. Tudo tem o seu timing e, digamos, talvez ele tivesse a função de alertar e não desencadear- um catalisador tardio, talvez.
Mas voltemos ao filme. Dorothy, na sua procura do castelo de Esmeralda, encontra vários amigos - um leão que não consegue comportar-se como tal, já que lhe falta a coragem,  um espantalho sem cérebro e o homem de lata que anseia por um coração. Nessa jornada, ela é auxiliada pela fada que lhe vai permitir chegar ao seu destino graças aos sapatos vermelhos, atitude que a bruxa má tenta a todo o custo evitar.
Follow the yellow brick road!" - foi essa a mensagem que eu deixei para uma amiga no seu aniversário de 2015.
Espero sinceramente que ela tenha encontrado o Castelo de Esmeralda!... 
A ver vamos... mas creio que já encontrou a forma de lá chegar...





"Somewhere over the rainbow
Blue birds fly
And the dreams that you dreamed of
Dreams really do come true ooh oh"

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Queres Vir Tomar um Chá?




Hoje decidi fazer um convite!
Não, não se trata de um convite de cortesia... É apenas uma forma de tagarelar um bocadinho com um grande amigo - o Pedro Suárez- deveras entendido em chá, conforme podem ver no seu blog  e, de certa forma, fazer uma breve viagem no tempo.
Perguntarão a razão deste convite, mas tal prende-se, obviamente, com a nova ilustração do meu blog, por ele concebida.
Ao olhar aquela ilustração, fui tele-transportada aos lugares da minha infância e fiquei sem palavras!
Repentinamente me imaginei na varanda da minha casa de infância, com vista para o rio, onde servia um chá às minhas bonecas, em chávenas de porcelana, onde não faltava uma mobília de verga azul clara que o meu pai tinha trazido da Madeira... agora bastante desbotada já que serviu três gerações...
As bonecas tentavam acomodar-se naqueles pequenos cadeirões, enquanto eu, fazendo as honras da casa, lhes servia o chá e biscoitos...
Já não tenho o bule nem o açucareiro. Restam-me apenas duas peças, tal foi o uso que lhes dei, mas faço questão de as usar.
A mesa já está posta!
Compreenderás que vou usar o bule da tua ilustração, aquele bule onde cabe todo o Universo, donde emanam vapores que nos levam nas asas das borboletas para a Terra do Nunca. Não terás biscoitos, mas prometo-te que ficarás deliciado com aquele bolo que eu e o ratinho confeccionámos, com todo o carinho, à luz dos pirilampos e daqueles lampiões de rebuçado!
Olharemos a paisagem e, lá ao fundo, encontraremos toda a magia de um bosque, aquela magia que o Natal nos traz, nem que para isso sejamos obrigados a usar aquela bengala às risquinhas...
Será a Floresta do Chocolate? Não interessa se a floresta é de chocolate, porque a cada chávena teremos sempre uma Fenix que renascerá e trará com ela novas história para contar...
E isso será a cereja no topo do bolo!...
Aceitas o convite?