Recentemente, a minha filha perguntou-me a razão de eu já não fazer croissants há muito tempo, aqueles croissants de manteiga acabadinhos de fazer e que vão tão bem com um chá.
Recusar um pedido destes seria "falta de chá", e lá fui eu tentar fazer croissants, embora desta vez tivesse experimentado fazê-los num forno de lenha com mais de 87 anos, convencida que seria mais fácil atingir uma temperatura mais alta do que num forno caseiro, com todas as modernices dos ventilados.
Não foi nada fácil conseguir que eles não se transformassem em carvão, mas lá consegui tirar de lá de dentro uns 4 tabuleiros com croissants aceitáveis.
Aceitáveis ou não, a verdade é que tive de repetir a dose no Sábado, desta vez em forno normal- o tal das modernices
O que eu não contava que acontecesse é que a manteiga dos croissants caísse no fundo do forno e fizesse uma fumarada tão grande que o prédio activasse o sistema de alarme de incêndio.... Correu mal, mas para a próxima já sei como manter aquele apito insuportável caladinho...
O D. Sebastião não apareceu no meio daquela nevoeirada cinzenta, abriram-se janelas e portas, e finalmente pudemos deliciar-nos com uns croissants quentinhos e "brincar" com a situação... para além de testar o sistema de alarme do prédio....
Isto foram os preparativos daquilo que considero um ritual.
Ritual ou não, um chá vai sempre bem com scones ou os tais croissants, e um a compota caseira acabadinha de fazer. principalmente quando ele é acompanhado por uma boa conversa, e as pessoas que nele participam sabem ter "chá", o que de hoje em dia começa a ser difícil encontrar. As grande superfícies não o disponibilizam e tão pouco as mercearias de bairro.
Nesse aspecto estou bem servida, principalmente quando recebo em casa os meus amigos, seja a que hora for... nem que a conversa que o acompanhe seja através de silêncios de grande cumplicidade...
Não pensem que me preocupo com as toalhas de renda da avozinha... Para isso já lá vai o tempo!
Porém, uma coisa há da qual não abdico: tomar chá com quem saiba perfeitamente o que ele representa... i. e. que saiba verdadeiramente ter "chá"!
De outra forma, prefiro sentar-me sozinha numa esplanada ou em qualquer outro sítio e tomá-lo comigo mesma. Assim sei que estou em boa companhia....
