domingo, 2 de outubro de 2016

O Primeiro "Voo"...


Era uma vez - todas as histórias começam com era uma vez….- uma menina que tinha cinco anos e foi a uma festa de aniversário de uma amiguinha.
Quando lá chegou ficou deslumbrada com um bolo - uma piscina onde não faltavam meninos a nadar em fatos de banho e bóias coloridos.
A partir desse dia, a mãe, tentando dar asas àquele imaginário, confeccionava bolos de aniversário lindos: borboletas e leques, formas essas que a menina, passados 50 anos, continua a guardar religiosamente.
Os anos foram passando e o prazer pela cozinha e por essa forma de arte foram-na acompanhando, com intervalos em que trocava os bolos pelas telas. É que o imaginário de criança nunca a deixou.
Mas será que é isso que se passa na actualidade? Será isso que se passa com as crianças actuais?
Cada vez mais assistimos a um ataque cerrado a tudo o que surge "out of the box", ou porque é perigoso, já que foge à norma, ou porque a sociedade em que vivemos prefere que as crianças-  e serão só as crianças? -  pensem todas em uníssono, como um coro muito bem afinadinho.
Antigamente, tudo servia para brincar.  Hoje, os brinquedos têm duração curta, como se o prazo de validade também a eles se aplicasse.
Onde param os brinquedos de outrora aos quais emprestávamos um valor afectivo tão especial  que os guardávamos em locais secretos?
Onde pára a magia que esses objectos possuíam, permitindo-nos esse "descolar",  o “passar para o outro lado de espelho” – um local sem tempo nem espaço – a “Terra do Nunca” - para podermos finalmente viver aquilo que era para nós uma realidade, uma interpretação que, apesar de colorida com laivos de fantasia, não deixava de ser real – porquanto ela era uma projecção, uma re-criação de algo que foi vivido.
Há uns anos largos, em férias na praia com uma sobrinha, onde não faltaram os bolinhos de areia e os castelos da princesa defendidos pelos fossos das ondas, não pude deixar de me dar conta da necessidade que essa criança sentia de levar a brincadeira até ao fim. Rapidamente fui transportada à minha infância quando criava montanhas  e castelos de puré de batata, árvores e flores de alface e tomate e, a partir daquele prato, "descolava" para o mundo da fantasia...
Então perguntei-me: o que nos impede de pegar em algo de comestível e partir com eles para esse mundo? Vamos levar a brincadeira até ao fim e permitir que as crianças, e quiçá os adultos, reaprendam que um bolo pode e deve ser uma representação com significado, algo que desperte a imaginação, o tal trampolim para o outro lado.
Será assim tão difícil?
A ilustração deste blog, concebida pelo meu grande amigo Pedro Suárez, é a prova inequívoca que, quando se trata de imaginar, não há linhas nem grades que nos possam deter.
Creio que ele não vai ficar muito contente por eu utilizar algo que ele considera um esboço, um rascunho, mas  nada surge por acaso. Esta ilustração é representativa e vai completamente ao encontro do que tinha em mente.
Com este blog, vamos voar um pouco, partir à descoberta do que está por trás da idealização de um bolo, e do que devemos ter em mente quando o queremos criar.
Não se trata de um blog de cake design igual a tantos outros, e são várias a razões para não o ser.
Os meus conhecimentos nessa área são rudimentares e a minha preocupação, quando crio algo, não está na perfeição, mas sim na capacidade que essa obra pode despertar na pessoa para quem o concebo, o simbolismo dos elementos, a harmonia e a estética e, não menos importante, a intensidade e a cumplicidade que se tenciona criar entre a obra e a pessoa que a recebe.
Aqui vamos nós "sentir com" e não  "sentir para"....

Apertem os cintos porque vamos descolar!









2 comentários:

  1. olha que ideia boa!
    vou ler, refrescante o look do teu blog, docinho o tema, apetecível a tua mão <3
    Até já amiga!

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  2. Obrigada, Ana Martins! Uma mão não tão apetecível quanto a tua ;)

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