Era
uma vez - todas as histórias começam com era uma vez….- uma menina que tinha
cinco anos e foi a uma festa de aniversário de uma amiguinha.
Quando
lá chegou ficou deslumbrada com um bolo - uma piscina onde não faltavam meninos
a nadar em fatos de banho e bóias coloridos.
A
partir desse dia, a mãe, tentando dar asas àquele imaginário, confeccionava
bolos de aniversário lindos: borboletas e leques, formas essas que a menina,
passados 50 anos, continua a guardar religiosamente.
Os
anos foram passando e o prazer pela cozinha e por essa forma de arte foram-na
acompanhando, com intervalos em que trocava os bolos pelas telas. É que o
imaginário de criança nunca a deixou.
Mas
será que é isso que se passa na actualidade? Será isso que se passa com as
crianças actuais?
Cada
vez mais assistimos a um ataque cerrado a tudo o que surge "out of the
box", ou porque é perigoso, já que foge à norma, ou porque a sociedade em
que vivemos prefere que as crianças- e
serão só as crianças? - pensem todas em
uníssono, como um coro muito bem afinadinho.
Antigamente,
tudo servia para brincar. Hoje, os
brinquedos têm duração curta, como se o prazo de validade também a eles se
aplicasse.
Onde
param os brinquedos de outrora aos quais emprestávamos um valor afectivo tão
especial que os guardávamos em locais
secretos?
Onde
pára a magia que esses objectos possuíam, permitindo-nos esse
"descolar", o “passar para o
outro lado de espelho” – um local sem tempo nem espaço – a “Terra do Nunca” -
para podermos finalmente viver aquilo que era para nós uma realidade, uma
interpretação que, apesar de colorida com laivos de fantasia, não deixava de
ser real – porquanto ela era uma projecção, uma re-criação de algo que foi
vivido.
Há
uns anos largos, em férias na praia com uma sobrinha, onde não faltaram os
bolinhos de areia e os castelos da princesa defendidos pelos fossos das ondas,
não pude deixar de me dar conta da necessidade que essa criança sentia de levar
a brincadeira até ao fim. Rapidamente fui transportada à minha infância quando
criava montanhas e castelos de puré de
batata, árvores e flores de alface e tomate e, a partir daquele prato,
"descolava" para o mundo da fantasia...
Então
perguntei-me: o que nos impede de pegar em algo de comestível e partir com eles
para esse mundo? Vamos levar a brincadeira até ao fim e permitir que as
crianças, e quiçá os adultos, reaprendam que um bolo pode e deve ser uma
representação com significado, algo que desperte a imaginação, o tal trampolim
para o outro lado.
Será
assim tão difícil?
A
ilustração deste blog, concebida pelo meu grande amigo Pedro Suárez, é a prova
inequívoca que, quando se trata de imaginar, não há linhas nem grades que nos
possam deter.
Creio
que ele não vai ficar muito contente por eu utilizar algo que ele considera um
esboço, um rascunho, mas nada surge por
acaso. Esta ilustração é representativa e vai completamente ao encontro do que
tinha em mente.
Com
este blog, vamos voar um pouco, partir à descoberta do que está por trás da
idealização de um bolo, e do que devemos ter em mente quando o queremos criar.
Não
se trata de um blog de cake design igual a tantos outros, e são várias a razões
para não o ser.
Os
meus conhecimentos nessa área são rudimentares e a minha preocupação, quando
crio algo, não está na perfeição, mas sim na capacidade que essa obra pode
despertar na pessoa para quem o concebo, o simbolismo dos elementos, a harmonia
e a estética e, não menos importante, a intensidade e a cumplicidade que se
tenciona criar entre a obra e a pessoa que a recebe.
Aqui
vamos nós "sentir com" e não
"sentir para"....
Apertem
os cintos porque vamos descolar!

olha que ideia boa!
ResponderEliminarvou ler, refrescante o look do teu blog, docinho o tema, apetecível a tua mão <3
Até já amiga!
Obrigada, Ana Martins! Uma mão não tão apetecível quanto a tua ;)
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